Trabalhadores sul-coreanos detidos em operação do ICE nos EUA relatam más condições, retornam por “partida voluntária” e recebem apoio do governo em Incheon
Oito dias após a detenção em uma operação imigratória nos Estados Unidos, 330 trabalhadores — sendo 316 sul-coreanos e 14 estrangeiros — desembarcaram no Aeroporto Internacional de Incheon na última semana, onde foram recebidos com aplausos, lágrimas e mensagens de boas-vindas exibidas em painéis no terminal.
Vestindo roupas casuais e máscaras, muitos correram para ligar a familiares, enquanto outros ergueram os braços em comemoração. Um deles gritou: “De volta para casa! Livres finalmente!”, em cena que sintetizou o alívio coletivo após mais de uma semana de incertezas.
Os trabalhadores haviam sido detidos no Condado de Bryan, na Geórgia, durante uma fiscalização no canteiro de obras de uma fábrica de baterias da Hyundai-LG Energy Solution. Muitos estavam nos EUA com vistos temporários de visitante B-1 ou pelo programa de isenção de visto.
Jang Young-sun, 43 anos, engenheiro de instalações, contou ter ficado “surpreso” com a ação. “Não achávamos que teríamos problemas com o nosso visto. De repente, as pessoas estavam sendo levadas sem qualquer explicação”, relatou.
Cho Young-hwi, 42 anos, também engenheiro, descreveu más condições no centro de detenção de Folkston, na Geórgia: “Duas pessoas usavam o mesmo quarto e o banheiro ficava aberto, ao lado de onde dormíamos. Ter que usar o banheiro em um espaço assim parecia uma violação de direitos básicos.”
Segundo Cho, a postura dos agentes do ICE mudou ao longo dos dias: “Inicialmente nos trataram como criminosos, mas depois começaram a perceber: ‘Talvez isso não esteja certo’.”
O governo de Seul afirmou ter negociado para que os trabalhadores não sofram desvantagens em futuras entradas nos EUA, promessa que Washington teria aceitado. Além disso, os dois países concordaram em criar um grupo de trabalho sobre vistos, a fim de evitar novas detenções em massa.
No desembarque, o chefe de gabinete presidencial, Kang Hoon-sik, pediu desculpas aos trabalhadores: “Lamentamos não tê-los trazido antes, mas fizemos o possível para acelerar o retorno. Este é um novo começo para buscarmos melhorias nos sistemas de vistos e residência com os EUA.”
O retorno foi marcado por abraços emocionados no estacionamento do aeroporto. Um trabalhador resumiu seus desejos imediatos: “Quero uma refeição quente, comida coreana.” Outro acrescentou: “Também quero tomar um banho.”
A LG Energy Solution anunciou que concederá um mês de licença remunerada aos trabalhadores, além de apoio físico e psicológico para a readaptação. Entre os repatriados, estavam 264 ligados à LG e parceiros e 66 da Hyundai Engineering.
Apesar do alívio, a situação reacendeu debates sobre os direitos de trabalhadores estrangeiros nos EUA, o endurecimento das políticas imigratórias e os impactos nas relações bilaterais entre Seul e Washington.
Crédito da imagem em destaque: Reprodução/The Korea Herald

