2026 inaugura o Ano do Cavalo de Fogo, associado à energia, transformação e também a estereótipos culturais que ainda impactam especialmente as mulheres
O calendário lunar de 2026 inaugura um dos ciclos mais intensos da astrologia chinesa: o Ano do Cavalo de Fogo, conhecido tradicionalmente como ano Byeong-o. A combinação — que une o cavalo, sétimo animal do zodíaco, ao elemento fogo — não acontece com frequência e foi registrada pela última vez em 1966.
Na tradição oriental, cada ano é definido não apenas por um animal, mas também por um dos Cinco Elementos (madeira, fogo, terra, metal e água). O fogo, associado à cor vermelha, dá origem ao termo popular “Ano do Cavalo Vermelho”, frequentemente ligado à paixão, impulso e transformação.
O cavalo sempre ocupou um lugar simbólico forte nas culturas do Leste Asiático. Na Coreia antiga, era associado à resistência, coragem e espírito desbravador. Quando combinado ao fogo, esse simbolismo se intensifica, dando origem a um ano visto como propício para mudanças ousadas, decisões rápidas e novos começos.
Astrologicamente, o Cavalo de Fogo representa movimento, ambição e entusiasmo. Ao mesmo tempo, essa energia é frequentemente descrita como instável, podendo levar a comportamentos impulsivos ou imprevisíveis — uma leitura simbólica, não científica, que atravessou gerações.
Apesar do tom positivo que o Ano do Cavalo de Fogo carrega hoje, ele também revive um debate delicado, especialmente na Coreia do Sul, que traz estereótipos associados a mulheres nascidas sob o signo do Cavalo.
Entre gerações mais antigas, ainda é comum a ideia de que essas mulheres seriam “fortes demais”, “difíceis” ou pouco adequadas aos padrões tradicionais de feminilidade. Relatos recentes mostram que essas crenças seguem causando tensão familiar, inclusive em decisões relacionadas à gravidez e ao parto.
Há casos em que futuras mães relatam pressão para alterar datas de nascimento dos filhos por receio de associações negativas ao signo — uma prática que especialistas classificam como superstição sem qualquer base científica.
Pesquisadores e especialistas em patrimônio cultural apontam que parte desse estigma não nasceu na Coreia, mas foi importado durante o período colonial japonês (1910–1945). No Japão do início do século XX, o mito do Hinoeuma retratava meninas nascidas no Cavalo de Fogo como inadequadas para o casamento, uma narrativa profundamente misógina que acabou se espalhando pela região.
Segundo estudiosos, a associação dos traços ativos do cavalo exclusivamente à masculinidade reforçou a ideia de que mulheres com essas características seriam “problemáticas”, um conceito que não encontra respaldo histórico nem científico.
Entre as gerações mais jovens, o significado do signo vem sendo reinterpretado. Para muitas mulheres, características como energia, liderança e ousadia deixaram de ser vistas como defeitos e passaram a ser reconhecidas como qualidades valiosas, especialmente no ambiente profissional.
Figuras públicas nascidas em anos do Cavalo frequentemente são citadas como exemplos de sucesso, ajudando a ressignificar o imaginário coletivo em torno do signo.
Crédito da imagem em destaque: Reprodução/Banco de imagem

